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Um ponto final. Pelé é o maior jogador da história do futebol

O maior jogador da história do futebolPelé, o maior jogador da história do futebol

Pelé é o maior jogador da história do futebol.  Messi é mais um, e talvez o mais próximo, a almejar esse  posto . E mesmo que alcance (chegará perto, mas não alcançará), ele será o novo Pelé. Pelé jamais será o “antigo” Messi

Pelé é o maior jogador da história do futebol. De todos os tempos. Dificilmente deixará de ser, e não será Messi a desbancá-lo. 

Eu sei que para muita gente essa afirmação feita assim, de forma incisiva, soa desconfortável, saudosista e até tirana. E se você é um dos que discorda, calma! Antes de me xingar, eu só preciso que você me leia até o final. Garanto que não quero guerra.

Mostrar que Pelé é o maior de todos é uma jornada. E já aviso que não falarei das três copas do mundo e mal tocarei em números. São os eventos que tornam o Camisa 10 Original a principal pessoa a jogar futebol nesse planeta em forma de bola.

Copa Pelé

A real é que eu nem vi Pelé jogar de fato. No meu tempo de vida, foram 90 minutos. 

Os primeiros 45 minutos in loco, no Pacaembu, em 1987, contra a Itália, na primeira edição da Copa Pelé, um delicioso mundialito de masters promovido pelo gênio Luciano do Valle. Eu tinha 11 anos. 

O maior jogador da história do futebol
Pelé, no Pacaembu, em jogo contra a Itália na Copa Pelé de 1987

Festa dos 50 anos

Os outros 45 foram aos meus 13 ou 14 anos, pela TV, em 1990, no jogo de aniversário de 50 anos Dele. Brasil x Resto do Mundo em MIlão. 

Uma partida festiva, mas marcada por um curioso “incidente”: ainda no primeiro tempo, Rinaldo, um promissor atacante do Fluminense, recebe um passe na entrada da grande área. Pelé se infiltrou pelo meio da zaga e já ocupava livre o espaço da marca do pênalti. 

Bastava rolar para o Rei fazer o gol mais esperado da noite. Só que Rinaldo preferiu chutar, para frustração de todos os presentes. 

As duas partidas não foram nada impressionantes, especialmente para quem esperava ver o maior jogador da história do futebol. Mas não foi nada próximo do que vemos hoje no YouTube.

Muito além do clubismo

Aliás, antes do YouTube, ver lances de Pelé ou de qualquer outro jogador das antigas era praticamente uma pesquisa arqueológica. Era por isso que a gente amava o Grandes Momentos do Esporte, na Cultura de São Paulo, ou o Gol, o Grande Momento do Futebol, no Show do Esporte da Band, que muito antes de Milton Neves era apresentado por Alexandre Santos (Apontoooou, guardou. Certinho. Goooooooolll). 

Nós, nascidos nos anos 70, fomos os primeiros em 20 anos a não ver Pelé jogar. Nossos avós e pais tinham visto ou ouvido pelo rádio, acompanhando toda aquela história maravilhosa que teve seu ápice na Copa do México, em 1970. 

Os relatos eram absolutamente fantásticos. Meu pai, um corinthiano insuportável (tão insuportável que anula a redundância da frase) tem uma história de um chevete com seis pessoas dentro atravessando a Dutra para ver um jogo do Santos no Maracanã. Apenas um era santista. E esse é o primeiro ponto que demonstra a grandeza.

Não era preciso ser santista para ir ver Pelé jogar. 

Histórias que o povo conta

Todos os mais velhos tinham histórias do maior jogador da história do futebol. Exaltavam como Pelé jogava demais. Jamais desmereciam. Claro que traziam seus times para a história. Mas o ponto comum era Pelé. Palmeirenses e botafoguenses, por exemplo, se gabavam de terem os times capazes de fazer frente àquele Santos. Os são-paulinos lembram que Roberto Dias era o melhor marcador de Pelé, eleito pelo próprio. 

Ao Bahia cabe a honra de ter sido o primeiro campeão brasileiro numa final contra o Santos, de Pelé. Já o Cruzeiro apareceu para o futebol nacional ao derrotar o Santos de Pelé. 

O Corinthians era sua maior vítima, mas também seu suposto time de infância. O milésimo gol foi contra o Vasco. Pelé foi para o gol e pegou muito contra o Grêmio. O gol de placa foi contra o Juventus, na lendária Rua Javari – que se confirmados os relatos, foi visto ao vivo por mais de 550 mil pessoas. Todo time tem seu fato marcante contra Pelé.

E aqui decreto meu ponto de vista. São os fatos, as histórias e o imaginário popular que tornam Pelé o maior de todos. A aura mística que ele conquistou – e fez por merecer – é o que o coloca na tal “prateleira acima”.

Coisa de brasileiro?

Pelé contra o Benfica
Pelé no Estádio da Luz, contra o Benfica, na final do Mundial de Clubes de 1962

“Ah, mas isso é coisa de brasileiro”. Pode parar de ser vira-latas. Os fatos e as lendas sobre Pelé são internacionais. 

As duas Libertadores do Santos têm histórias que parecem roteiros de filmes absurdos.

Beira o inacreditável o jogo de volta contra o Penãrol, em 1962. O Santos venceu a ida no Centenário, em Montevidéu, e teria empatado por 3 x 3 garantindo o título na Vila Belmiro, mas o árbitro alegou, na súmula, que encerrou o jogo muito antes do terceiro gol santista, o de empate. Mas foi só por conta disso que houve o famoso jogo desempate, no Monumental de Nuñes, onde Pelé. claro, brilhou. De novo.   

Brilhou tanto quanto no ano seguinte, contra o Boca Juniors, em plena La Bombonera. O Santos vencera o primeiro jogo em casa e, no segundo, quando o Boca abriu o placar, no começo do segundo tempo, diz a lenda que os dirigentes xeneizes começaram a se preocupar em marcar o jogo desempate, já que o time da casa jamais havia perdido um jogo internacional em seu próprio estádio. 

Só que Pelé fez o gol da virada. 

Mundial de clubes

E houve os dois mundiais. O primeiro com aquele jogo tido como o maior da história santista, no Estádio da Luz, contra o Benfica de Eusébio. Um 5 x 2 implacável, com três de Pelé – além dos dois nos 3 x 2 do Maracanã.

Ah, o Maracanã. Onde o Santos Bateu o Milan duas vezes para conquistar o Mundial de 1963, depois de perder o jogo de ida em Milão por 4 x 2. Mais de 250 mil pessoas, somadas, viram os dois jogos no Rio. Pelé foi herói do jogo de volta, marcando dois gols. E foi a principal notícia do jogo de desempate, por que não jogou. 

Uma vida em quatro Copas do Mundo

O maior jogador da história do futebol
Pelé é abraçado por Gylmar após a final da Copa de 1958

Quem, me digam vocês, estreia em Copas do Mundo ao 17 anos e não treme?. E faz seu primeiro gol num jogo de quartas de final. Um gol solitário da vitória que classifica o time para a semifinal. 

Semifinal, aliás, onde o moleque meteu três gols, contra a França, o time mais forte daquela Copa da Suécia. E fez mais dois na final. Numa final de Copa. Contra o time da casa.

Só Pelé fez isso. E nem adulto era ainda!

E se teve Garrincha para aliviar o peso de sua lesão na Copa de 62, não teve a mesma sorte em 1966, quando foi caçado em campo por portugueses e húngaros na Copa de 1966 sendo, literalmente, expulso da competição a pontapés. Porque ele era Pelé, e Pelé precisava ser detido a qualquer custo. 

O que Pelé fez e o que não fez

Pelé é lembrado até pelos gols que não fez, principalmente na Copa de 70. O mais emblemático “não gol”, o do meio de campo, contra a Tchecoslováquia, é até hoje, 50 anos depois, chamado de “o gol que Pelé não fez”. E teve ainda aquele em que Ele dribla o goleiro uruguaio Mazurkiewicz com o corpo, sem tocar a bola. Quando o faz, ela rola pelo ladinho da trave. Tinha que ter entrado. E ainda teve o tiro de meta que Ele emendou de primeira, contra o mesmo goleiro, no mesmo jogo. 

O maior jogador da história do futebol
Pelé e o famoso drible de corpo no goleiro uruguaio Mazurkiewicz, na Copa de 1970

E a maior defesa de todos os tempos? Aquela do goleiro inglês Gordon Banks. A cabeçada, claro, é de Pelé. Perfeita. O Rei sobe alto e, de olhos abertos, fuzila com a testa, no pé da trave, para a bola quicar na linha. Mal dá pra perceber Banks tocando na bola.  

E é também de Pelé a assistência mais lembrada de todos os tempos. Você pode até ter menos de 20 anos de idade, mas já sabe de qual estou falando antes mesmo de ler: o milimétrico passe para Carlos Alberto pôr o ponto final na Copa de 1970.

Legado interminável

Pelé, o maior jogador da história do futebol
Pelé é o camisa 10 original. Antes dele, o número não era associado ao craque do time.

As histórias não tem fim. Pelé foi expulso em amistoso entre Santos e Colômbia. A torcida estava lá para vê-Lo e se revoltou. Mas logo Ele voltou a campo, depois de simplesmente expulsarem o juiz. 

Pelé parou uma guerra. Isto é Pelé

Você conhece todas as histórias. Você já leu e ouviu, até mesmo já viu. Talvez elas tenham sido infladas e exageradas, especialmente as sem registro visual. Mas, quando há vídeos, notamos claramente que não há nenhum exagero. Coincidentemente. 

Quem é o maior jogador da história do futebol?

Messi é mais um, e talvez o mais próximo, a almejar o posto de melhor da história. E mesmo que alcance (vai chegar perto, mas não alcançará), ele será o novo Pelé. Pelé jamais será o “antigo” Messi

Mas eu não defendo quem foi melhor. Há uma série de critérios que podem ser utilizados (muitos anacrônicos e fora de contexto, sejamos justos), mas essa é uma discussão que, a meu ver, não leva a nada. 

Porque o maior é de fato Pelé. Messi é craque e usa a 10, assim como os outros craques, mas só porque Pelé a eternizou como a camisa do craque – antes Dele, o 10 não era tão simbólico. Pelé é o 10 Original. 

No lugar de Messi, o de tentar desbancar Pelé, outros já estiveram. Mas quem quer que possa ser, no passado, no presente ou no futuro, sua missão passa inexoravelmente pela comparação com Pelé. Não é com Di Stefano, nem com Puskas, nem com Cruijff, nem com Maradona

É com Pelé. Pelé é o parâmetro. É eterno.

O maior jogador da história do futebol.    

Fernando Badô

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