Histórias

Náutico assume passado racista e trilha caminho da grandeza

Natália de SantanaGarotos negros usam camisas dos três grandes de Recife/Natália de Santana

Se o Timbu tem um passado do qual não pode se orgulhar – e muito menos mudar -, a grandeza está em agir no presente e ajudar a fazer um melhor futuro melhor.

Se orgulhar do passado nem sempre faz a grandeza de um clube. Por vezes, negar esse passado e, no presente, se desconstruir, pode (re)definir uma história. E foi esse passo que o Náutico deu ao apresentar sua nova camisa para a temporada.

É fato. Na época de sua fundação, o Náutico não aceitava atletas pobres, muito menos negros. Por anos, foi tachado como o “clube dos brancos”.

A contar da fundação, em 1901, levou seis décadas permitir um negro vestindo a camisa alvirrubra. Foi o lateral esquerdo Elói, escalado pelo técnico Gentil Cardoso (também negro).

De lá para cá, o clube teve muitos ídolos negros: Baiano, Bitta, Gena, Jorge Mendonça, Kuki, Lula, Neneca…faça a sua lista e complete essa.

Se o Timbu tem um passado do qual não pode se orgulhar – e muito menos mudar -, a grandeza está em agir no presente e ajudar a fazer um melhor futuro melhor.

A camisa, preta, lançada neste dia 18 de setembro de 2020, é um marco de um compromisso do clube e combater o racismo.

O vídeo de lançamento da camisa é protagonizado pelo ex-goleiro Nilson, que jogando no Estádio dos Aflitos pelo Santa Cruz, em 2002, foi alvo de gritos racistas. A torcida imitava macacos quando ele pegava na bola. Uma mancha irreparável.

O que é irreparável fica para trás e serve de lição para que novas manchas não apareçam. A camisa preta é um passo pequeno. Reconhecer os erros do passado e construir um futuro diferente é um salto enorme.

Fernando Badô

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