Histórias

Messi Redentor

Montagem mostra Messi sobre o Corcovado, como se substituisse o Cristo RedentorMessi, o redentor, conquista seu primeiro título com a seleção e tira a Argentina da fila.

É bem possivel que a relação messiânica (sem trocadlihos) dos argentinos com Maradona tenha nublado muito o julgamento sobre Messi. A redenção e o status de redentor vieram com a conquista da Copa América no Maracanã.

A relação de amor e ódio entre jogadores e torcedores só se estabiliza após o final da carreira do jogador em questão. Esse é o ponto onde o amor ou o ódio assumem seu status definitivo. 

A história vai colocar o amor por Messi no coração dos argentinos quando a carreira deste acabar. E agora, com a conquista da Copa América, tonificada pela quebra de um jejum de 28 anos sem título, acontecida no Maracanã, e sobre o Brasil, duvido que isso possa sofrer alguma reviravolta. 

E vamos já acabar com a discussão. A Copa América não é um torneio insignificante: ele é muito maltratado pela Conmebol. Mas é um torneio gigantesco, com três campeões da Copa do Mundo, com 9 títulos somados, o que dá praticamente metade das conquistas – e rivalidades centenárias em campo.

No Maracanã tudo vira história

Protagonizar a conquista de um título sobre o Brasil no Maracanã é entrar imediatamente para a história, como bem sabem Alcides Ghiggia e Obdulio Varela. E Messi fez. Não Mundial, mas Continental, e do continente que ganhou na bola o direito de ter o maior número proporcional de vagas na Copa.

Messi é e faz por merecer a condição de melhor do mundo atualmente. Como havia feito com o Barcelona, (mas aí escudado por outro jogadores geniais) tirou a Argentina de uma fila que atravessou dois séculos e três décadas e reconfortou o coração machucado de uma torcida que ama sua seleção como poucos amam. 

E aqui cabe a nota de reconhecimento ao papel de Di Maria nesse título, como autor do gol. Feita.

O fator Maradona

Com a licença de entrar em terrenos espinhosos de comparação, Messi foi crucificado pelos próprios torcedores argentinos durante anos. Sua cruz? Supostamente não jogar bem com a camisa albiceleste, mesmo com os números mostrando o total oposto: o fato de ele vir carregando esse time nas costas, pesadamente, há anos.

É bem possivel que a relação messiânica (sem trocadlihos) dos argentinos com Maradona tenha nublado muito o julgamento sobre o craque contemporâneo. Some a isso o peso dos insucessos em finais – mas notem, a Argentina esteve em várias finais com ele, incluindo a da nossa Copa. Claro que, fosse naquele dia, a grandeza de Messi, impulsionada pelo fator Maracanã, teria atingido níveis extra-estratosféricos. Quase maradonianos. 

Mas não há porque relativizar a importância da Copa América – a não ser pelas duas velhas síndromes que nos abatem há anos: o eurocentrismo e o viralatismo, duas faces da mesma moeda.

A redenção e o status de redentor vieram no Maracanã, que já tinha em seu rol de campeões Pelé, Zico, Romário e Neymar, entre outros, e agora tem nele também Messi, talvez o único de fato que tenha conseguido chegar perto do cume do monte Everest onde a bandeira Pelé está fincada.

Seu primeiro título profissional por sua seleção é uma busca encerrada, mas não derradeira. É, ainda, um marco inicial, fincado no maior de todos os palcos. 

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Fernando Badô

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