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Na casa do tri mundial, quem cantou mais alto foi o Galo

A festa da torcida do Galo no Maracanã foi exaltada pela Revista Placar

O maior estádio do mundo gritava. Repetia bem alto que ele estava bichado. E parecia até que ele nem tocaria mais na bola, mas tocou. O cruzamento que saiu da esquerda não encontrou qualquer zagueiro do Flamengo, mas ele, o bichado, rastejando em campo, percebeu que não precisaria colocar força na bola para marcar o gol. Reinaldo fez o gol, que daria o segundo título do Brasileiro ao Galo.

A única taça de campeão brasileiro que o Clube Atlético Mineiro erguera já havia sido no Maracanã. A segunda, a que daria a Reinaldo um prêmio merecido, foi interrompida por mais um gol do Flamengo.Talvez a não conquista de 1980 tenha moldado o caráter de uma geração inteira de atleticanos. O time honrou o hino e lutou, lutou e lutou. Pelos gramados do mundo. O atleticano que viveu aqueles dias passou a ter pesadelos com o mundo da bola e descobriu tudo sobre ligamentos e cartilagens do joelho.

A redenção de Dario e o primeiro triunfo de Telê

O outro atleticano, o que viveu a emoção da década anterior, soltou o grito e se fez notado além das montanhas mineiras. E como foi importante conquistar o Brasileiro de 71 no Maracanã. Volte no tempo. Venha. O Brasil era o campeão do mundo e aquela seleção é tida ainda como modelo. Estavam os craques todos ali. Pelé e Clodoaldo estavam no Santos e ainda eram Pelé e Clodoaldo. Rivellino exibia a potência de sua perna esquerda no Corinthians. Gerson continuava sendo craque e viu o seu São Paulo sair derrotado do Mineirão uma semana antes. O jogo era válido pelo triangular final do Brasileiro e o resultado oferecia ao Atlético a comodidade de jogar pelo empate contra o Botafogo de Jairzinho, o Furacão da Copa.

O Galo era um belo time, mas precisava dar um grito bem alto para mostrar que ele não era apenas mais um time. Era preciso ser campeão brasileiro com um jovem treinador, que só depois passou a merecer o respeito que um Telê Santana merece. Talvez o grito abafado pelas montanhas mineiras não  alcançasse os olhares que conquistou se o palco não fosse o Maracanã. Ali, em 1971, contra todos os craques campeões do mundo um ano antes, o Galo pegou carona na impulsão de Dario e mostrou para todo o país que vencer é o nosso ideal. Uma vez até morrer.

Mario Marra
Jornalista, é comentarista da ESPN Brasil

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