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Lusa 100 anos: Uma carta para o meu amor eterno

Lusa 100 anos: Uma carta para o meu amor

Neste momento que tu completa 100 anos, eu aqui de longe, me pego pensando, como sou grato por você ter me aceitado, como dói estar longe de você no momento em que talvez mais precise, como é bom amar você, mesmo que isso não seja retribuído.

Campo Grande (MS), 17 de agosto de 2020,
 
Boa noite meu amor,
 
Em primeiro lugar, sim, eu sei que estou atrasado há alguns dias.
Mas eu quero que você me entenda linda. Em primeiro lugar, pensei muito no que escrever.  Em segundo, é sabido que nossa relação deixou de ser a mesma nos últimos quatro anos e andamos meio que separados.

Eu não diria que houve uma briga, afinal eu sempre vou parar e te acompanhar quando for possível. Mas é evidente que desde aquele fatídico setembro de 2016 temos feridas não curadas. Não é para menos, eu fui até uma minúscula cidade mineira para te ver tentar ganhar uma sobrevida. Você me decepcionou. 

Eu acabei decepcionando pessoas que tinha como amigos, frustrado com o que você me aprontara. E então me mudei de cidade, de estado, de vida… E aqui, longe mais de mil quilômetros, convenhamos que não tinha como nossa paixão ser a mesma. Ainda mais com o que aprontaram com você, comigo, com nosso amor…

Me desculpe pela distância, pelo afastamento, acho que nós dois merecíamos esse tempo, essa geladeira. Não é que conheci outras pessoas, mas você sabe que comigo é complicado certas questões que envolvem o coração.

Mas é claro linda, nem tudo são flores quando o assunto é relacionamento. Nós dois sabíamos disso lá nos distantes anos 1990, quando nos conhecemos.

Logo eu, que nunca tive nenhum vínculo contigo e vinha de um relacionamento abusivo à distância com uma carioca, me apaixonei por você, por seus filhos. Nossa, como eles são incríveis. Um negrinho baixinho que driblava todo mundo – que conheci na várzea da minha amada zona norte -, um volante raçudo, aquele meia habilidoso com nome de gringo…

Não vou ficar me restringindo a eles, porque nosso amor não foi só por causa deles minha linda. Vai além. Só quem te conhece a fundo é capaz de entender a paixão que você causa. Só indo à tua casa para ver o fanatismo que te cerca.

E eu confesso, me amarrei muito linda. Curti todo momento naquele espaço entre Canindé e Pari.

Mas como ressaltei linda, nem tudo são flores. Com você ou por você eu passei por tudo: fui preso, briguei, bati, apanhei, enterrei minha carreira no jornalismo esportivo (é uma bosta virar referência só por tua causa), fui demitido de outro, tretei em casa (não leve a mal, meu pai palmeirense nunca foi contra nossa relação), sou mal falado por alguns de seus amantes, amado por outros, tolerado por todos…

 

Sei lá linda, teu universo é muito peculiar e restritivo.

E neste momento que tu completa 100 anos, eu aqui de longe, me pego pensando, como sou grato por você ter me aceitado, como dói estar longe de você no momento em que talvez mais precise, como é bom amar você, mesmo que isso não seja retribuído.

E não cabe aqui julgar seus fracassos minha linda. Nós dois sabemos que isso nunca foi prova para nada. Quem se encanta por você não liga para isso, nunca fez a diferença. O diferencial sempre foi estar ali, nos mais de 150 jogos fora de casa que te vi, nos mais de 13 estados que te acompanhei, nas mais de 80 cidades… Cada uma com uma história peculiar, um momento único, uma amizade construída. Em tua homenagem eu fiz meu TCC.

 Nunca nos divorciamos amada, até porque é como a faixa já diz: a Portuguesa nos uniu, nada vai nos separar.

Até algum dia. Eu levo flores e chocolate para nossa reconciliação. Que dure mais 100 anos. Eu te amo. E sempre te amarei. Me desculpe qualquer coisa.

Sentimentais abraços e beijos,

Rafael Ribeiro Emiliano

Rafael Ribeiro
Rafael Ribeiro é historiador e jornalista desde 2004, nascido em Sampa, mas morando há quatro anos em Campo Grande (MS). Torce para a Lusa desde 1991, quando o pai palmeirense o levou a um certo jogo no Canindé contra a Inter de Limeira onde aconteceu um certo gol de um certo camisa 10.

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